Toy Story 5 prova que a essência da Pixar continua viva e entrega uma das mensagens mais importantes da franquia
- Movanimation
- 7 de jul.
- 3 min de leitura
Existem franquias que envelhecem. Outras permanecem relevantes. Mas Toy Story vai além: ela evolui junto com o seu público. É impressionante como um filme que começou em 1995 consegue continuar tão atual mais de 30 anos depois, sem perder a essência que transformou a Pixar em uma das maiores referências da animação mundial.

Depois de assistir ao filme, uma coisa ficou ainda mais clara para mim: eu simplesmente não consigo imaginar um fim definitivo para essa história. O universo de Toy Story é rico demais e ainda há muito a ser explorado.
O grande destaque deste novo capítulo é a forma como a Pixar aborda a tecnologia na infância. Diferente do que muitos poderiam esperar, o filme não trata celulares e tablets como grandes vilões. Pelo contrário, a mensagem é sobre equilíbrio. A proposta de mostrar que brinquedos e tecnologia podem coexistir foi um dos maiores acertos do roteiro. As crianças não precisam abandonar completamente as telas, mas também não podem deixar que elas substituam as brincadeiras e a imaginação.
Essa discussão ganha força através da Bonnie, que só quer continuar sendo criança e brincar com seus brinquedos, mas acaba sofrendo bullying das meninas da aula de dança justamente por isso. É um retrato muito atual de como muitas crianças sentem a necessidade de amadurecer cedo demais para serem aceitas socialmente.
Nesse contexto, a chegada de Blaze foi um enorme acerto. Ela representa crianças que também enfrentam dificuldades para fazer amizades, mas que não deixam de ser quem são. Enquanto Bonnie tenta mudar para se encaixar, Blaze continua brincando com seus brinquedos e mostra que não precisamos abandonar nossa essência para conquistar amigos.
Outro ponto muito positivo é a construção da LilyPad. Em vez de ser uma vilã, ela funciona como uma antagonista. Seus objetivos são os mesmos dos brinquedos: fazer o melhor para Bonnie e ajudá-la a encontrar amigos. O conflito existe apenas porque cada um acredita em um caminho diferente para alcançar esse objetivo. Isso torna a mensagem ainda mais madura e reforça que tecnologia e brinquedos podem caminhar juntos.
Também gostei muito do protagonismo da Jessie. Ela conduz a história com muita personalidade e o retorno à fazenda onde Emily morava rende um dos momentos mais emocionantes do filme. Descobrir que Emily nunca esqueceu Jessie e ainda deu seu nome à própria filha foi um toque de nostalgia que deixou tudo ainda mais especial.
A volta de Woody não chega a ser essencial para a trama, mas foi impossível não sentir a emoção de reencontrar nosso cowboy favorito. Também adorei vê-lo novamente ao lado da Betty, assim como Buzz e Jessie formando um casal.
No começo, achei um pouco estranha a ideia dos vários Buzz Lightyears estarem naquela ilha, mas eles acabam funcionando muito bem como alívio cômico e protagonizam algumas das cenas mais divertidas do filme.
Minha única ressalva é que senti falta de mais participação da Betty, dos brinquedos clássicos do Andy e até dos brinquedos da Bonnie. Além disso, ficou aquela sensação de que faltou alguma coisa para tornar a história ainda mais marcante.
Ainda assim, Toy Story 5 entrega exatamente o que promete: humor, emoção, nostalgia e uma mensagem extremamente importante para crianças e adultos. Mais do que uma continuação, o filme mostra que crescer não significa abandonar a infância e que ninguém precisa mudar quem é apenas para ser aceito.
É muito bom reencontrar esses personagens e perceber que, mais de três décadas depois, Toy Story continua sendo uma das franquias mais importantes da animação.
Confira nossa crítica no Letterboxd, Rotten Tomatoes e IMDb
⭐⭐⭐⭐☆ 4/5 estrelas
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